Caminhando por aquela rua e escutando aquela música eu lembrava de você e de como você tinha entrado na minha vida. E em meio aquele fim de tarde que eu tanto gostava de ver eu pensava que mesmo que ninguém quisesse mais me olhar ou falar comigo eu teria você para conversar, para rir, para me lembrar de que nada é o fim do mundo e que é caminhando que se segue a vida. Engraçado, como duas pessoas podem se “conhecer” a um ano e só depois começar uma amizade? Pois é, aconteceu com a gente. Afinal tudo tem um propósito. E as coisas sempre vêm na hora certa.
A cada dia que passo me convenço que a vida é a série mais bem feita de todas, sem ensaios ou textos decorados, somente a ação do momento; e que os atores não necessariamente entram ou saem, eles estão ali de alguma forma ou em cena ou nos “flashbacks”. Posso dizer que você foi uma das pessoas que tiveram mais destaque quando a minha série não estava com o ibope tão alto, achava incrível o poder que você tinha de reduzir quilômetros em ações. Você me ajudou quando eu sentia medo do que estava por vir, você falava que a gente estava junto e que nada ia acontecer, você me ensinou a não desistir dos meus sonhos e eu te ensinei a lutar pelos seus.
* * *
O tempo passou e levou junto com ele Outubro, Novembro e Dezembro. Janeiro chegou estranho e vazio, e Fevereiro veio junto com o inverno. E a música de inicio perdeu o tom e de repente aquela rua não era mais a mesma, se tornou estranha. Uma distância que existia fora quebrada, porém agora outra maior havia sido construída. Muito do que era tinha se perdido. Não nos foi dado o poder de voltar no tempo por que certamente viveríamos no passado, e não nos é permitido saber o futuro por que provavelmente estagnaríamos no presente. O que acontece sempre tem um motivo para acontecer seja bom ou ruim, para ensinar ou para aprender. Eu aprendi assim como também ensinei.
Aprendi que pra construir demora muito tempo e para desmoronar nem tanto e ensinei que para cuidar e preservar a clareza é o melhor caminho. E entre aprendizagens continuamos caminhando em rumos que nem sempre são os mesmos, mas que não deixam de serem rumos. E no meu rumo me deparei de novo passando por aquela rua só que sem escutar aquela música, e dentre um milhão de músicas que eu poderia escutar eu senti falta apenas daquela. Será que a melodia mudou muito? Disso eu não sei. Só sei que a distância entre mim e o “play” fica cada vez menor.
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