terça-feira, 22 de março de 2011

Guarda-chuva vermelho


E lá estava ele mais uma vez na chuva andando por aquela rua tortuosa que ele tanto conhecia. Aquele caminho em que mais uma vez ele se encontrava. A chuva caia forte sobre ele e cada gota o lembrava de que mais uma vez ele estava ali, daquele jeito.
Ele olhava ao redor e via as pessoas que uma vez estiveram do seu lado agora fechando as janelas de suas casas. Algumas ainda ficavam olhando a chuva e olhando para ele como se questionassem o fato de ele estar ali mais uma vez ou simplesmente fizessem questão de apreciar a sua cara de assustado. Enquanto ele via aquela cena outras diversas cenas invadiam a sua mente, cenas do que já foi, cenas do motivo por ele estar ali, e quando deu por si viu que as suas lágrimas estavam se confundindo com as gotas da chuva e ele parou de andar.
“Andar para quê”? “Não importa pra onde eu vá essa chuva não vai parar mesmo” Ele pensava. A raiva foi crescendo no peito dele, aquele sentimento que ele tanto odiava e que agora dilacerava seu coração, “eu estou aqui outra vez”. Sem forças ele simplesmente cai, suas pernas como se não aguentassem a realidade daquilo se recusavam a ficar firmes e ele ficou ali no chão, na chuva.
Anestesiado em pensamentos ele não via direito, mas alguém parou ali e o levantou. Sem entender, mas também sem forças para questionar ele levantou e se deixou levar por aquela pessoa que parou. De repente ele achou algo estranho, “onde estão os pingos da chuva?” foi então que ele notou um grande guarda-chuva vermelho sobre ele e aquela pessoa que agora o levava. A raiva foi passando, ele foi voltando a si e percebeu que agora não estava sozinho, alguém parou ali pra ajuda-lo. A chuva poderia continuar caindo o tempo que fosse por que ele agora esta sob um guarda-chuva. Ele não está sozinho. E ele agora atravessava aquela rua e a cada passo ele começava a acreditar que iria ficar melhor, que a chuva poderia não passar depressa, mas ele tinha alguém ao seu lado com um guarda-chuva.

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